quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Capítulo 5 - Eu sou feito de aipim, com morangos neozelandeses

-Buda!!! – gritou novamente Agente Sprite, que com sua voz de megafone chamava a atenção de muitos zumbis.

-Sprite, seu estúpido, desliga esta desgraça, que você está chamando a atenção de mais deles. – respondeu o japonês de olhos ardentes.

- Eu não sei o que está acontecendo, cara. Isso está saindo naturalmente. Estou parecendo o Megazord ou o amolador de panelas falando...

A realidade é que a quantidade de zumbis cercando os agentes começava a ficar assustadora. Buda então fixou o olhar para uma direção, incinerando vários zumbis. Neste lugar, eles conseguiram abrir uma brecha e enfim fugir. Correram por vários centímetros, mas infelizmente o excesso de tecido adiposo somado com o sedentarismo profundo impediram os agentes de continuarem correndo. Pegaram um ônibus “Até Terminal”.

E foi neste exato momento que os agentes perceberam que algumas coisas não haviam parado de funcionar, como, por exemplo, o transporte público, os correios, as rinhas de galos e principalmente o Canal do Boi. Nos ônibus, por exemplo, andavam pessoas e zumbis, porém lá dentro havia uma placa direcionada aos mortos vivos que dizia claramente “Não atacar não infectados”, regra esta que era obedecida de forma impecável (mas para compensar, os zumbis sempre pagavam meia). Mas isso não era válido no terminal rodoviário. Foi descer do ônibus que o caos voltou. Lá estava uma selvageria danada, pessoas sendo dilaceradas e os mesmos pedintes de sempre (estranho que os zumbis evitavam estes). Mas Buda soltava chamas pelos olhos, logo era muito eficaz no local. Assim os agentes conseguiram pegar outro ônibus, um pouco movimentado, cujo foco era ir para algum local mais seguro. Para infelicidade dos agentes, pegaram o ônibus que ia para a faculdade.

Ao chegar à mesma, entretanto, perceberam que o local estava às moscas, e assim entraram na faculdade, para procurar por possíveis amigos sobreviventes. Primeira construção que viram foi a biblioteca, obviamente ignorada, pois era um habitat inóspito para desprovidos de ocupação. Foram então para o pólo. Lá encontraram nada, pois a porta estava fechada, apenas um aviso alertando “Você peida fetidamente”. Era uma verdade válida para os dois agentes. Tinha aroma de milho fermentado, com leve toque de feijão carioquinha. Continuaram andando pela faculdade, com Buda tostando os poucos andarilhos que ousavam aparecer. Notem que Buda não fechava os olhos em momento algum, apenas no ônibus que foi de olhos fechados. Sprite percebeu neste momento que Buda não parava de gritar, desde quando o havia encontrado, mostrando novamente sua perspicácia imediata.

-Por que você está gritando tanto, Buda?

-Porque estou me queimando também, seu imbecil! – respondeu o japonês.

Enfim, Buda lançava chamas pelos olhos, mas também se queimava com o próprio fogo.

Ao chegar na cantina inflacionada, foram procurar por algum alimento, pois lá não tinha ninguém. Havia vários tipos de alimentos, como sanduíches naturais e frutas, mas os agentes foram pegar chocolates, frituras do dia anterior, bolachas, só coisas que o coração olha para o dono e agradece. Enquanto comiam, não perceberam a chegada repentina de uma horda de zumbis, por volta de 30. Encurralados, não perceberam a presença dos zumbis. Como era sabido, o QI dos agentes não era equivalente ao número de DPs adquiridas.

Quando um dos mortos vivos estava prestes a atacar Buda e amaldiçoar o coitado, escutaram uma voz nada imponente e infelizmente conhecida gritando:

-Let ir rip!!!

Do nada surgiu um peão de plástico desvalorizado e recusado pela natureza e comércio girando em uma velocidade alucinante, atacando vários dos zumbis de uma vez só. O dono daquele peão era ninguém menos que Agente Kronos, que, trajado de Sailor Moon, com uma rosa na boca, defendia seus amigos.

Defendia uma ova, ele queria é contar o final de um anime desconhecido da vida. Sem sucesso, entretanto, pois antes que ele falasse o final, surgiu mais uma horda de zumbis, ainda maior. O impotente agente exclamou firmemente:

-É chegada a hora de eu usar minha arma triunfal, seus imbecis. Saia do peão, minha fera bit. Defenda-me e defenda meus amigos!!!

Infelizmente, saiu do peão outra coisa conhecida dos agentes. Era Agente 14, que agora havia se tornado um fiel aliado de Agente Kronos, e estava aprisionado ao peão em questão. Tudo o que ele podia fazer era rodopiar ainda mais rápido e infinitamente o peão, aparecer em um holograma exibindo sua infeliz imagem e semblante para os espectadores, fingir uns efeitos de luz sem nenhum tipo de investimento mínimo, e aniquilar por volta de 10 zumbis por golpe. Em questão de poucos golpes e ataques, todos os agentes estavam em segurança. Kronos e 14 perceberam então que Buda e Sprite ainda não haviam percebido a presença deles, muito menos dos zumbis. Apenas comiam alucinadamente os doces e travessuras da cantina, já vazia.

Continua...

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