Ainda não havia anoitecido, e os agentes estavam no laboratório procurando as roupas de Agente Randon. O local não era muito espaçoso, mas mesmo assim todos aqueles marmanjos juntos não davam conta de achar uma porcaria de calça.
Agente Renanzim, ao se deparar com os cacos de vidro que Agente Randon infestou o laboratório, resolveu realizar uma prova de resistência e autocontrole, andando descalço sobre os cacos de vidro. Conseguiu, com enorme sucesso, diversas feridas nos pés, mãos e corpo, incluindo alguns arranhões na cabeça (após cair no chão e ficar rolando sobre os cacos, gritando de dor). Mais uma vez, a inteligência da equipe sendo colocada em prática.
Agente Kronos enfim encontrou algo que poderia ser importante, e chamou a todos. Ele havia encontrado uma chave que, usada na porta correta, localizada no lugar mais obscuro da sua mente, seria capaz de abrir as chaves do paraíso fiscal de Machadinho D’Oeste. Entretanto, Renanzim ficou furioso e saiu gritando como um louco para Kronos:
- Onde já se viu eu aqui machucado, precisando de carinho e atenção e você dando atenção para esta chave imunda e inútil. – Após dizer isso gritando, ele tomou e engoliu a chave, que após ter passado pela digestão no estômago de avestruz do agente, foi totalmente destruída. Infelizmente, um possível item extremamente importante, se perdeu por ignorância e carência do agente.
Os demais nada fizeram, apenas voltaram a procurar pela calça, enquanto Agente Kronos ficava fazendo carinho em Renanzim, e pedindo perdão pela sua incompreensão.
-Randon, a calça que você estava usando era calça Jeans?
-Sim, Buda, por quê?
-Porque os ratos estão comendo ela.
-O que? – gritou o agente, correndo na direção de Buda.
E era exatamente aquilo mesmo que estava acontecendo. Ratos do tamanho de gatos comiam a calça, que já não tinha mais forma, muito menos utilidade. Randon, em um ato de fúria, atacou os ratos. Matou um em um piso certeiro, comeu outro em uma mordida letal, e os outros ratos fugiram em direção a um vão, em um lugar qualquer de uma parede qualquer.
Agente Randon correu em direção à parede e se jogou contra a mesma, derrubando-a, para a surpresa de todos os demais agentes. A qualidade da infraestrutura na faculdade era louvável.
Entretanto, a surpresa não ficou por conta apenas da parede feita de massinha de modelar, e sim o que havia por trás desta parede. Era uma segunda parte do laboratório, entretanto muito melhor conservada (provavelmente melhor porque Randon ainda não havia arrumado este local). O lugar estava em estado fantástico, e aparentava uma importância muito maior do que o laboratório anterior. Diversos experimentos muito bem conservados, muito bem guardados, lugar muito limpo, e com uma qualidade de manutenção louvável. Era como se uma edição de luxo de Diablo III tivesse sido dada para qualquer um dos agentes, e estes a guardariam com pleno carinho.
Antes de simplesmente partirem, resolveram dar uma olhada no lugar, apesar de agente Sprite aconselhar a todos para partirem, pois já estava ficando tarde. Foi totalmente ignorado. A realidade era que o agente estava de certa forma incomodado em estar naquele lugar. Algo o perturbava.
Os demais agentes procuravam coisas legais para jogar um no outro: líquidos de coloração divertida, de aroma desagradável, coisas assim. Só se esqueciam de que aquilo poderia render algum efeito colateral indesejado.
Foi então que Jhon gritou:
-Olha o que eu achei! – Se tratava de um freezer plenamente trancafiado com as mais modernas ferramentas, que foi brutalmente destruída por agente Kronos, que literalmente comeu as mesmas. O interessante era que, junto ao freezer, tinha um aviso de “Cuidado”, e logo abaixo “Aqui está guardada a mais nociva combinação feita por um estudante burro e desprovido de conhecimento na história desta faculdade...” e logo abaixo o nome do aluno era revelado. Ninguém menos que agente Sprite.
Dentro do freezer havia um recipiente que armazenava mais ou menos um litro de um líquido escuro, de aparência temível, e que obviamente deveria ser mantido seguro. Mas não enquanto os agentes estivessem ali. Além de tirarem sarro exaustivamente de Sprite, resolveram ter a brilhante ideia de beber o líquido, pois este parecia Coca-Cola.
O próprio agente Sprite também bebeu o líquido, pois como qualquer incompetente, não sabia o porquê ter sido tão criticado por aquela experiência, e sempre teve curiosidade em saber o sabor do líquido. Depois de todos terem dado conta de acabar com o líquido, que tinha sabor de amora, perguntaram para Sprite como aquilo havia acontecido. E o agente começou a explicar:
- Vejam bem, acontece que no passado eu tinha vontade de prestar Química, e em um evento da escola, viemos até aqui para descobrirmos mais sobre este curso. Enquanto os docentes responsáveis pelo laboratório explicavam algumas coisas, eu que nunca prestei atenção em explicação nenhuma fiquei brincando de misturar algumas coisas. Acontece que o que eu criei foi ingerido por um rato que era utilizado por alguns experimentos, e este rato morreu, soltou diversas faíscas após ter morrido e se transformou em poeira logo depois. As faíscas machucaram 6 pessoas no local, inclusive um dos docentes, que logo após este evento me expulsaram do local e processaram a minha escola, e a mim também. Minha pena é não poder passar por pelo menos um raio de 100 metros deste local, senão eu vou preso. Sei que enquanto eu ia embora forçado deste local, eles ficavam falando que eu era o segundo idiota que havia feito merda no local. Sempre tive curiosidade em saber quem era o outro, e acho que agora que estamos aqui, poderíamos muito bem procurar, não é mesmo?
E assim o fizeram. Procuraram por pouco tempo, pois foi relativamente fácil achar o outro lugar que continha o experimento também rigorosamente trancafiado. Novamente, Kronos comeu as trancas, e o experimento foi revelado. Na porta apenas continha o aviso. “Cuidado” e logo abaixo “Aqui está contida a mais poderosa e letal arma bioquímica feita acidentalmente por um louco desprovido de conhecimento na área. Este composto foi elaborado por C.”. Os agentes se entreolharam, um pouco receosos do que haviam acabado de ler, e começaram a brincar de jogar um no outro o líquido tão cuidadosamente armazenado. Destruíram completamente os frascos que continham os líquidos, e espalharam por todo o laboratório o mesmo.
Este laboratório era mantido em segredo na faculdade após o evento envolvendo Agente Sprite. Oficialmente, disseram que haviam dissolvido este laboratório. Apenas uns 2 ou 3 docentes sabiam da existência deste, e sabiam que o mesmo deveria ser sempre mantido em segredo, pelo perigo que nele residia. Entretanto, toda esta cautela havia sido inútil, pois 7 alunos acéfalos haviam acabado de invadir o laboratório e liberar dois perigosos compostos químicos que poderiam colocar em risco muitas pessoas inocentes.
Mal sabiam estes alunos que eles fizeram algo muito pior do que isso.
Continua...
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