terça-feira, 24 de julho de 2012

Capítulo 19 - As masmorras da paixão


Em uma casa desconhecida, chegou pela sexta vez o moço do Sedex, de saco cheio por ter sido burro em não levar todas as encomendas de uma vez só. Entretanto, ele havia deixado uma sétima encomenda para trazer depois, ainda no mesmo dia. Jogou de qualquer jeito o pacote na frente da casa.

Era uma encomenda grande. Todos os pacotes eram enormes, e pesados. Alguns mal cheirosos. Em cada encomenda, havia um agente C. Aos poucos, eles foram saindo de dentro das embalagens, e colocando a conversa em dia. Mas como ninguém tinha assunto, ficaram rosnando.

Buda, Randon, Sprite, 14, Renanzim e Jhon estavam lá. Não haviam percebido, mas Kronos ainda não estava lá. Passado algum tempo, o carteiro veio novamente. Só que, ao invés de trazer uma encomenda contendo Kronos, ele trouxe apenas uma carta. Entregou sabiamente para 14, que começou a ler:

“Seu amigo foi capturado pelas forças do mal. Vocês precisam unir o conhecimento adquirido com este tempo que passaram sozinhos, e ajudar a resgatá-lo. Ele corre sério perigo.”

-Perigo de que? – perguntava Randon para si mesmo...

-Tá Randon, vai lá, pega o ossinho, vai. – Buda, após falar isso, jogou um pequeno osso para o agente ir brincar. – Como nós vamos encontrá-lo? Sequer sabemos onde estamos.

-Nós estamos em uma casa. – respondeu Jhon.

-Sério, e como você sabe? – insistiu Buda.

-Porque está escrito na placa: “Aqui é uma casa”.

-Nossa, é muito sua cara esta residência, seu idiota. Eu não me surpreenderia se fosse você que morasse aqui...

-Mas é a minha casa mesmo, caralho. Vamos entrar um pouco, tenho que depilar minhas unhas dos pés.

-Jhon, eu acho que você quiser dizer outra coisa, né, amigo? – disse 14.

Quando entraram, o agente óbvio foi buscar cera quente, passou em suas unhas, e começou a se depilar. Do lado de fora da casa, ouviram uma explosão, mas logo constataram que não era nada demais, apenas Randon que tinha morrido para um ovni.

14 resolveu começar a conversa com uma pergunta direta: “Qual amigo mesmo que está faltando?”.

E começaram a pensar. Sem sucesso. Não conseguiam se lembrar de nenhum amigo ausente naquele lugar, fora o falecido do capítulo, mas que também não fazia falta para eles. Passados alguns minutos, o carteiro novamente bateu na porta da casa, desta vez para entregar um bilhete. Entregou para Jhon.

O agente engoliu e comeu o papel. Uma hora depois, veio o carteiro, com uma escopeta nas mãos, entregar aquele que ele adoraria ser a última carta do dia. Mas era um telegrama legal do Gugu, que por ser zumbi, foi incinerado por Buda. Em seus restos mortais, havia um bilhete ainda não carbonizado, que 14 pegou e leu: “Quem está faltando é o Kronos, porra”.

O agente deu uma olhada na janela da casa e viu um idiota mumificado escrevendo os bilhetes, que saiu correndo quando viu que foi detectado. Nenhum dos agentes quis ir atrás da múmia, estavam preocupados mesmo era se Kronos estava se alimentando bem.

-Onde será que ele pode estar? Como vamos encontrá-lo se sequer sabemos para onde ele foi levado? – perguntava Renanzim.

-Eu sei como encontrá-lo. – afirmou Jhon, já com as unhas dos pés impecáveis.

-Como? – perguntou Sprite.

-Eu vou farejá-lo. – respondeu o moço das unhas dos pés recém-depiladas.

Continua...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Capítulo 18 - Eu sou primal


Renanzim acordou em um lugar desértico. Além de areia tinha Renanzim. Por causa do calor, o agente tentou fingir de morto, para ver se o sol não o via e por fim não o castigava. Pela lógica, não deu certo. Mas na realidade, não funcionou também. Revoltado, o agente se levantou, deu um chute na areia, e parte dela foi parar nos olhos dele.

Mais revoltado ainda, ele resolveu andar, pois qualquer coisa que ele fizesse, no mínimo ele seria o culpado no fim das contas. Mas por mais que ele se movimentasse, ele não ia para lugar algum, pelo menos ele não conseguia ter noção de absolutamente nada. Tudo era areia. O máximo que o agente visualizou foi uma caravana distribuindo Gatorade, mas que ele julgou irrelevante e não perdeu tempo.

Quando anoiteceu, veio o frio. Estrategista genial como só ele, ficou nu, pois seus pelos corporais iriam protegê-lo. Curiosamente, não deu certo. Quando estava quase desmaiando, teve uma epifania que na verdade era uma galinha falante.

-Este não é seu lugar, agente. Você sacrificou todo o conhecimento que iria adquirir em seu curso para um bem maior, combater um mal muito mais perigoso. Você precisa sair daqui.

-Mas como eu faço isso? Eu não faço ideia de onde estou, muito menos como sair daqui.

-Para conseguir sair, você terá que despertar o seu eu interior.

-Um galo?

-Não, seu retardado.

-O que então?

-Outra galinha.

Jhon, o agente sedutor, irresistível para os insetos. Para os insetos. Ele acordou em uma cama em um hospital desconhecido, completamente amarrado, e em seus dois braços eram injetados algo que ele não sabia afirmar ao certo o que era.

Mas ele sabia que estava sofrendo de uma vontade irresistível de evacuar. E como não tinha ninguém mesmo, mandou ver, nas calças, do jeito que a criançada gosta.

Passadas 4 horas, a torneira anal não havia cessado. Cagava com gosto, sem misericórdia, sem perdão, com fúria, bravura e honra. Saia aos jatos, litros, parecia petróleo, mas era menos valoroso (infinitamente menos). Uma fada dos dentes entrou voando pelo quarto, com 3 máscaras tampando suas narinas, e começou a falar:

-É impressionante o resultado. Aplicamos doses cavalares de remédios para prender seu intestino, e você não para. É uma verdadeira fábrica de merda.

-Você não sabe como isso é bom.

-Você é que não sabe o quão ruim isso é para você. Quando eu sair deste quarto, ele não terá mais nenhuma saída nem entrada (i/o bound?, precisava mencionar isso). Assim, você morrerá com seu próprio veneno.

E a fada saiu. A princípio Jhon continuou mandando ver, sem hesitar, com gosto. Mas aos poucos, o mar marrom e aromatizado foi inundando o quarto, e o agente entrou em desespero, o que intensificou a diarreia.

-Merda, eu não acredito que vou ter a morte mais vergonhosa da história da humanidade. Eu vou morrer afogado na minha própria bosta. Socorro! Alguém me ajuda, por favor!

E os coliformes foram dominando o quarto até o momento que o agente ficou submerso...

CONTINUA!!!