sexta-feira, 23 de março de 2012

Capítulo 12 - Quando sonhar algo ruim, não passe adiante.

Jhon, o belo, dirigia o ônibus para qualquer lugar, fora da cidade. Ele sabia que ali não havia mais chances de emprego, nem de futuro, muito menos bolero. Levou algumas horas para entender que para sair de uma rotatória, ele precisava tomar um rumo, ao invés de ficar apenas girando no círculo. No final das contas, caiu na estrada e, já fora da cidade, buscava cidade menos populosa, com o intuito de encontrar mais paz. 14 apenas cumpriu sua promessa do capítulo anterior, e deu um tiro em Randon e o chutou para fora do carro. Enquanto ele rolava no chão, explodiu, pois havia almoçado pólvora e nitroglicerina, encontrados no Posto Ipiranga. Lá lancharam, abasteceram o ônibus, cortaram os cabelos, compraram novas skills, adquiriram galinhas d'angola, compraram passagens para Estocolmo (de balsa) e, por fim, compraram a dívida externa da Bulgária. Deram adeus aos npcs do posto e foram embora, novamente sem rumo definido.

E naquele dia, estavam com sorte. Encontraram um condomínio aparentemente vazio, mas com muros altos, sendo um possível lugar para ficarem. Buda entrou primeiro, pois era o lança chamas do grupo. Naquele momento, o japonês peludo já sabia controlar a hora de lançar ou não chamas pelos olhos, apesar de se queimar quando o fazia. Kronos foi logo atrás, com 14 junto. O lugar estava deserto, e passado algum tempo todos os agentes já estavam lá dentro. Havia muitas casas por lá, e cada agente tomou uma para si. Menos Kronos, que levou seu escravo 14 junto.

Quando a noite começou, um grupo que não havia sido detectado continuava a observar os agentes. Não eram humanos, mas também não eram simples zumbis. Era uma espécie diferente de morto vivo, mais inteligente. Eram realmente muito inteligentes, mas não tinham memória. Usavam muito o cérebro quando se uniam e ficavam filosofando sobre a origem da vida, as religiões dominantes no mundo, o catolicismo dos ateus, e outras coisas igualmente importantes. A biblioteca criada por eles se situava naquele condomínio e servia para se lembrarem do que falavam. Entretanto, Sprite havia selecionado a biblioteca como casa. 14 e Kronos haviam escolhido a base militar como moradia. Cada agente iria dormir em uma construção específica, com exceção de Renanzim, que havia selecionado o quiosque como casa, pois achava lá muito mais seguro e pseudoparapsicológico. Lá ele poderia estudar sobre a importância dos ovnis na aviação brasileira.

O ataque dos zumbis inteligentes enfim havia sido arquitetado, e começaram a por o plano em ação, começando um ataque em massa contra Sprite. Entretanto, não foi necessária nenhuma ação para capturá-lo. Quando ele se trancou no banheiro para passar um fax para o governador, ele trancou a porta, e ficou brincando de barquinho com a chave na privada. Quando quis tornar a brincadeira mais divertida criando um maremoto, deu adeus à chave, e assim ficou preso no banheiro. Quando os zumbis chegaram na frente da porta do banheiro começaram a discutir:

-Capturamos ele, mas o que que era pra fazer depois mesmo?

-Puts, não lembro.

E ouviram uma voz gritando de dentro do banheiro:

-Eu me lembro sim, vocês haviam combinado de destrancar a porta do banheiro para mim.

Para a surpresa do agente, eles o fizeram, e depois perguntaram:

-E agora?

O agente, já sabendo que poderia, e deveria, tomar proveito da situação, disse:

-Agora vocês devem reativar a Steam. E depois, manterem ela ativa, pelo resto da vossa eternidade. Isso é o vosso legado.

E assim fizeram. 34 segundos após a Steam voltar, foi possível ouvir, vindo da casa de Buda, um grito forte, com uma mistura de desespero, emoção, adrenalina e por fim tesão. Porém, um dos zumbis havia feito uma anotação no próprio braço, que continha a mensagem de assassinar a todos os agentes invasores. E logo pararam de trabalhar na manutenção da Steam (e novamente, vindo da casa de Buda, um grito "Nããããããão" contendo muita dor, angústia e ejaculação precoce pôde ser ouvido pelo planeta todo) e cercaram o agente. Sprite, entretanto, estava preparado para este incidente, e já estava em posse de uma metralhadora, fuzilando os zumbis antes que pudesse ser atacado.

Na casa de Kronos, entretanto, a situação era mais delicada. Os zumbis atacavam de forma sincronizada, e o agente mal conseguia se esquivar. Antes que sofresse um golpe final, se lembrou que 14 era sua beyblade e o usou para um contra ataque. Porém, 14 era apenas um, e logo estava sem forças para continuar combatendo os vários oponentes. Usando de estratégia e posicionamento, os zumbis cercaram os agentes e estavam prestes a acabar com eles. Mas não esperavam por um fato inusitado. Do céu e do inferno, do leste e do oeste, surgiu um emblemático guerreiro, dotado dos mais deprimentes superpoderes, das mais baratas vestimentas, e do mais precário intelecto. Enquanto uma música de péssima qualidade era tocada pelo ar, agente Randon, transformado em SuperInframan, retornou das cinzas, para salvar a vida de seus amigos. Com uma visão deturpada por eixos cartesianos esverdeados, ele perdia 84% de sua visão normal. Com a roupa feita de papelão e celofane, ele perdia 406% de sua capacidade de se locomover. Com seu capacete sagrado, sua inteligência era reduzida a apenas 0,04% da original, que já era bem limitada. Entretanto, o ensandecido agente ganhava 800% a mais em sua capacidade de danificar objetos, com seus potentes raios catódicos situados estrategicamente em seu calcanhar. Em rápidos movimentos, Randon eliminou todos os zumbis, e, enquanto ria alucinadamente com as mãos na cintura, acabou ativando acidentalmente a autodestruição. Morreu pela segunda vez. Entretanto, sobre a cabeça do agente surgiu a mensagem "You have enabled the achievement Donkey Kamikaze (dying twice in the same chapter)".

Continua...

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